Manaus, 7.2.04

martelando na cabeça:
eu quis querer o que o tempo não muda
para o que eu quero não mudasse nunca..



* pesadelos a noite inteira...acordei suada, sem lençol nem edredom, com os olhos cheios de lágrimas...que até agora não secaram...não foi uma noite boa, hoje eu não sou uma boa companhia...e tenho minhas dúvidas se muitas vezes sou...
não gosto de sonhar...não dormindo, não de olhos fechados...às vezes tenho medo dos meus sonhos...outras quero entrar dentro deles e viver aquilo que se acontece quando não tenho controle de mim...preciso perder mais o controle das coisas...não pensar muito antes de fazer...não que eu precise ser mais impulsiva...ah, tanto faz, preciso de tanta coisa...
agora só preciso, e quero, ficar sozinha...dormir o que não consegui a madrugada inteira...mas não quero sonhar...também não quero mais não querer dormir...
eu sabia que ficar em casa sexta-feira a noite fazia mal a saúde...humpft!

Juju =) escreveu às: 2:09 PM



de pés no chão
certas horas a única solução viável é colocar os pés no chão. calçar os dois lados do sapato, pisar firme e andar em frente. não voltar atrás. deixar tudo o que já passou...e começar a deixar o que está passando e logo logo também fará parte de um conjunto de lembranças - o das boas lembranças, para as ruins eu sofro de perda de memória conveniente (ou será eu sofro de perda de memória recente? de qualquer modo, continue a nadar...)
velocidade máxima é devagar demais para dizer como o tempo passa rápido. um piscar de olhos pode levar muitas horas e ser tempo suficiente para mudar o que antes parecia estável. talvez seja isso. talvez eu precise de estabilidade. agora que tenho os dois pés no chão pode ser que fique mais fácil. mas não, eu sempre fui instável demais. não era para usar salto alto, mal tirei o gesso e já saio dois dias de sandálias que me deixam mais perto das nuvens.
procuro a minha estabilidade numa sandália preta de salto fino e tirinhas fininhas. tenho medo de levantar e sentir o pé doer. mas até quando eu posso evitar a dor. eu sei que os sapatos baixinhos são mais cômodos, mas toda essa comodidade me enjoa. deve ser por isso que tenho o péssimo hábito de apostar no incerto. culpa da minha instabilidade. mudo de idéia num piscar de olhos. não no que leva horas, mas naqueles que duram menos que um segundo.
por mais que eu fale e pareça ter certeza de tudo, não estou sempre certo e quase nunca digo o que realmente quero. não desse jeito. não vou dizer o que penso. não assim. sinto muito, mas preciso me proteger. de mim, de você, do tempo, do clima, do calor...e que calor!!!!
falta pouco, as saudades começam a apertar. minha casa, minhas coisas, minha cama, minhas amigas, minhas primas...saudades que se misturam com a vontade de não ir. desista, nunca vou assumir que eu quero ficar. não de novo. ah não. de novo não.
a realidade tem a estranha mania de deixar um gosto muito amargo no final do doce. e isso não é a minha realidade. é só um período de tempo que já foi prolongado e agora chega ao fim. mais rápido do que eu imaginava. mais díficil do que eu esperava.
eu sei que é cedo, mas vou sentir saudades. do meu irmão, da minha avó, minha tia, meus primos, minhas amigas. de mim. do que não muda nunca. do que faz bem e mal. do que me consome. do que ninguém entende. do que ninguém sabe. do terraço, das noites de lua.
se eu me apego fácil, chegou a hora de me desapegar. de começar a me afastar. a colocar um pouco de sal no doce. vai ser melhor assim. eu sei que vai, só não me pergunte se eu tenho certeza. você sabe, eu sou geminiana.
talvez, quem sabe, eu queira fazer tudo diferente. não me afastar nenhum pouco de tudo (e todos) que vou sentir falta. dizem que é bom ter saudades. só gosto daquelas que eu sei que vou poder matar. logo. muito logo. que horas é o cinema? viu, mal de geminiana.
só uma coisa não muda (tá bom, não é só uma coisa), sou orgulhosa. então se eu não te ligar, você me liga. assim não fico de cara emburrada por muito tempo. dá cãimbra.

* ah sim, tirei o gesso ontem de manhã. um pouco mais cedo que o previsto. é que ele quebrou no meio do rua e começou a ferir meu calcanhar...sabe como é, eu tinha que ficar de pé para cima e quando cheguei no hospital o médico me olhou e disse: "você não parou de andar né?"

* engraçado, por que será que eu acho que sou o único ser que está em casa hoje?


martelando na cabeça:

no one knows what is like
to be the bad man
the sad man
behind blue eyes...

Juju =) escreveu às: 3:35 AM



Manaus, 2.2.04

pozinho de pirimpimpim
eu não sei quem teve a idéia de fazer com que as estrelas parecessem potinhos de glitter no céu, mas a cãimbra na minha perna está insuportável.
não faz sentido? e quem disse que eu faço ? não precisa entender...mas... e se algum dia descobrirem que as estrelas não passam mesmo de potinhos de glitter, será se elas perderiam todo esse encanto e fascínio que causam em mim e em tantas outras insensatas por aí?
não sei...também não sei se vou poder tirar o gesso na quinta feira. é estranho, uma situação incômoda só precisa de um pouquinho de tempo para se tornar cômoda e rapidinho dá um medo danado de perder esse incômodo. mas não vejo a hora de tirar esse gesso. duas semanas mancando e dez dias de muletas pelos cantos.
mas as estrelas não são potinhos de glitter, não é mesmo? elas continuam lá no alto. intocáveis. não transbordam nem viram pó de fadas. assim ninguém corre o risco de sair voando com os pensamentos felizes. e onde eles estão agora? não sei...
e se eu estiver errada? e se o que não me deixa voar for os pensamentos tristes? não sei se acredito em fadas. mas tenho uma madrinha que parece ter caído do céu.
me diz, até quando eu vou viver uma vida que não continua? às vezes me sinto paralisada, mas não sou esse cristal fosco que turva a tua visão. é que a transparência me cansa um pouco.
para sempre essa cidade vai me causar sensações contraditórias, uma caixinha de surpresa que me deixa de alerta constante mas sempre me pega desprevenida. quanto menos eu tento pensar, mais lembro. por que tem que ser assim?
e hoje eu queria ir lá com você, dizer que ontem eu ouvi o que ninguém diz, que não dormi porquê tive pesadelos e hoje eu acordei mal. passei o dia enjoada, algo não me fez bem, o domingo não me fez bem. você ainda tem aqueles pacotinhos de sal de frutas eno?
se as estrelas fossem mesmo potinhos de glitter pode ser que eles estivessem abertos, prestes a serem derramados, mas acho que eu não sairia voando.

i'm with you (avril lavigne)

Juju =) escreveu às: 3:40 AM





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Juju =)/Female/21-25. Lives in Brazil/Rio de Janeiro/Rio, speaks Portuguese and English. Eye color is hazel. I am what my mother calls unique. I am also shy. My interests are cinema/photograph.
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